Meu registro vem inesperado… mas de onde?
Subo o farol da ilha do mel, dia 25 de dezembro de 2008 e conto para a Lola que a última vez que subi ali, foi com Joshua, em dezembro de 2006. Lembro por que o sinto, e vejo ali (em algo que me parece primeiramente como da imaginação de algo já vivido em 2006, mas que aos poucos se consolida como do próprio dia 25/12/08), no meu corpo, no espaço ilha, no meu sorriso e risada da lembrança dele cravada na minha emoção: ele encurvado, com careta de quem interpreta um cansaço brincalhão.
Registro/lembrança que eu e ele moldamos por fotos e video: ele subiu correndo 03 vezes (03 takes) alguns degraus da grande escada que nos leva ao topo do farol. Cada uma das vezes com uma sensação, como se corresse de alguëm, como se estivesse cansado, e a outra não lembro…. O que ficou em mim foi o jeito brincalhão que tínhamos um com o outro, que era da intimidade da relação, do espaço que ele tinha comigo e eu com ele… a lembrança suportada por aí. A memória se constrói, sob esse meu ponto de vista, da dinâmica relacional entre os pares, entre os grupos. É assim que de certo modo teorizo o registro revelado em corpo presente há dias atrás.
De repente, não mais que muito de repente ao atingir o farol, lembro que a última vez não havia sido com o Joshua, mas sim, ano retrasado (2007), com Jens, Ceres, Ronie, Margarida Morini, enfim, com o grupo do curso do BMC na Ilha…. Surprise! Marila se equivoca, ou melhor, sua memória lhe tira de um salto um ano do outro, se sobrepõe, lhe engana! Camadas retornam da experiência com Joshua mais forte ainda, e lá de cima, lembro das imagens das inúmeras fotos que tiramos, das ações dele lá embaixo quando já voltávamos do farol pela areia das “Paralelas”. A memória não tem lugar certo, não está amarrada ou afixada como sticker amarelo, não se incomoda, a memória, de nos trapacear, de jogar seu xadrez.
E poruqe raios (já que há essa ponte com Portugal)? Poruqe essa lembrança minha e de Joshua (mais distante no tempo linear e cronológico) se sobrepõe ao tempo mais próximo de 2008?
Havia um amor que ainda há, de compartilhar coisinhas, lugares, belezas, a natureza, a imensidão, um mundo de possibilidades. Havia finalmente um silêncio prá viver o outro, havia expressão máxima dos íntimos de cada um, havia, havia, mas poruqe raios havia???
HÁ! Absolutamente e irremediavelmente há. Concretamente no corpo há. Há muitos dos nuances vividos. Há. Há a presença na ausência. Há. Há memória, lembranças que encarnam mais que outras, há seleção.
E já depois que descemos, eu e Lola e Henrique, há, que a realidade?! do dia 25, me permite recobrar os assuntos próximos, e Lola me lembra do blog da Renata e menciona que essa lembrança parece dizer respeito ao seu novo projeto 08/09.
sábado, 3 de janeiro de 2009
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